terça-feira, 22 de julho de 2014

Rota do Xisto

A Rota do Xisto é o nome atribuído ao nono percurso pedestre de Arouca. Uma pequena rota (PR) circular de grande dificuldade e de igual grau de beleza com início e fim junto à Igreja Matriz de Canelas. São 16 km e seis horas de caminho onde é possível contemplar imensas dádivas da Natureza.

A presença de xisto marca os trilhos da PR 9


A aldeia de Canelas, a fonte da Levada, o Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC), o lugar de Vilarinho, o miradouro da cascata das Aguieiras, o rio Paiva, a mina do Pereiro, a praia do Vau, a cascata do ribeiro da Estreitinha e os moinhos do ribeiro de Canelas são os grandes atractivos da PR 9 (ver abaixo fotogaleria).

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PR 9 - Rota do Xisto 


À entrada de Canelas


Igreja Matriz de Canelas


À chegada a Canelas, uma placa de lousa com a inscrição 'FREGUESIA DE CANELAS'  dá as boas-vindas aos visitantes. Seguindo a estrada asfaltada, os forasteiros encontram uns metros à frente a Igreja Matriz de Canelas. Aqui, tem início a PR 9 - Rota do Xisto.

A PR 9 tem trilhos em comum com a GR 28


Saída da Igreja e subida da rua da Cordoaria


Junto à Igreja, os caminheiros encontram a placa informativa da rota e, depois, atravessam a estrada de asfalto e sobem as escadaria da rua da Cordoaria. Daqui, é (praticamente) sempre a subir até ao CIGC por trilhos rurais e florestais de Canelas.

Mas, antes de chegar ao Centro de Interpretação Geológica, é tempo de conhecer a aldeia e as suas ruas, terrenos agrícolas e casas de xisto. Passa-se perto do restaurante 'Trilobite' e, quase a atingir a mata, vislumbra-se a fonte da Levada. Agora sim, a subida é íngreme e 'puxada'.

Placa informativa da fonte da Levada


Fonte da Levada 


Da Igreja até ao CIGC, a PR 9 partilha o caminho com a GR 28 - Por Montes e Vales de Arouca - e, atingida a estrada nacional 326-1 (Arouca-Alvarenga), a grande rota segue para o lugar de Gamarão de Cima e, de lá, para Arouca, onde termina.

Já a PR 9 toma um caminho florestal em direcção ao ponto mais alto do percurso, com 581 metros de altitude. E, daqui, os caminheiros têm uma vista panorâmica ampla sobre a povoação de Canelas. É incrível! Mas há mais e a próxima etapa é alcançada à chegada ao lugar de Vilarinho.

Placa informativa da PR 9 no largo do CIGC


"Não é permitida a recolha de FÓSSEIS"


Centro de Interpretação Geológica de Canelas


Agora, deixo a descrição da PR 9 de lado para sugerir uma visita ao Centro de Interpretação Geológica. Se pretendem uma visita guiada ao museu e espaço exterior do CIGC, os visitantes e/ ou caminheiros devem atempadamente fazer marcação através do 916352917 ou do lgrf@iol.pt. O custo do bilhete Visita Guiada + Museu é de 4 euros.

No caso de chegarem sem marcação prévia, nem tudo está perdido. Os forasteiros podem visitar o museu aos sábados das 10 às 17 horas e domingos das 14 às 17 horas. No ano de 1820, as primeiras ardósias são exploradas em Canelas. Hoje, os caminheiros podem contemplar o tesouro geológico devido à exploração de ardósias na Pedreira do Valério.  

Meio que envolve o CIGC


"Conheça uma página importante do passado da TERRA"


Deixado o CIGC, os pedestrianistas são encaminhados para o cume mais elevado da PR 9, para o lugar da Mealha e, depois, para Vilarinho. Esta última localidade que, segundo uma laje local, já existia no século IX e que, hoje, é de fácil acesso. Fica junto à EN 326-1, que os caminheiros voltam a percorrer.

Margaridas à chegada a Vilarinho


Vilarinho é um lugar marcado pela ruralidade


Os caminheiros despedem-se de Vilarinho e percorrem uns 100 metros da EN 326-1 até que vislumbram o restaurante 'Paiva à vista'. Aí, viram à esquerda, tomando um caminho florestal largo e de fácil acesso. Daqui, a próxima etapa fica a 1500 metros de distância. Falo do miradouro da cascata das Aguieiras.

A 100 metros de chegar ao miradouro 


A cascata das Aguieiras é avistada do miradouro


À chegada ao miradouro, é de ficar de boca aberta com tremenda beleza natural. A vista panorâmica é rara e é um regalo para os nossos olhos. As águas do ribeiro de Alvarenga precipitam-se e desaguam no rio  Paiva. A vegetação verdejante e as águas límpidas decoram o vale profundo que observa do miradouro.

É lindo! Um pouco assustador, tendo em conta a altura, mas magnífico o cenário. Bem, custa deixar este local e tenho dito. Todavia, há que completar a PR 9 e, ainda, falta um bom pedaço de caminho. Depois do miradouro, a mina do Pereiro é a etapa a atingir.

Mina do Pereiro a 100 metros


A mina do Pereiro é uma abertura escavada no granito e que pode ser visitada pelos caminheiros. E, para isso, têm de possuir uma lanterna pois, caso contrário, torna-se perigosa a entrada. Por isso, sem iluminação passem por lá, mas visitem apenas o espaço exterior. Aliás, na zona do Cabeço do Pereiro é possível olhar para outras bocas de minas.

Chegada à praia do Vau


2 km percorridos da mina do Pereiro ao Vau


Passada a zona mineira e as ruínas da casa do barqueiro, chega-se à praia do Vau a 2 km da mina do Pereiro. O rio Paiva preenche grande parte do cenário, que fica completo com a vegetação grandiosa e a cascata do ribeiro da Estreitinha. É aqui que a PR 9 volta a encontrar a GR 28, seguindo as duas rotas o mesmo caminho até a Igreja de Canelas. Faltam 3.5 km para terminar a Rota do Xisto.

A praia do Vau a 3.5 km da Igreja de Canelas


Rampa do Vau para os barcos de rafting 


Águas do Paiva correm ao lado da PR 9


Ao abandonar a praia do Vau, segue-se caminho em direcção à confluência do ribeiro de Canelas. Isto, sempre na companhia do correr das águas do Paiva. Até que o rio contorna a encosta para a direita e os caminheiros na margem oposta viram para a esquerda e sobem até atingir a estrada asfaltada, passando antes por moinhos locais.

Moinho junto ao ribeiro de Canelas


Já perto de concluir o percurso, é tempo de percorrer alguns trilhos rurais de Canelas. Olha-se para a esquerda e para a direita e avistam-se muitos campos cultivados e povoações. A torre da Igreja sobressai no meio das habitações locais e da vegetação. Esta é a indicação de que o fim aproxima-se.

Torre da Igreja de Canelas à vista


Escadas da Barroca


Coreto e largo da Igreja Matriz de Canelas


Para trás ficam as terras cultivadas, a ETAR de Canelas, o lugar de Além do Ribeiro, o tanque público, as escadas da Barroca e as ruas estreitas que encontram-se nas imediações da Igreja Matriz. Seis horas depois do início, pé ante pé deixam-se pegadas ao longo de 16 km de distância por terras de Canelas.

Aqui, fica mais uma sugestão de caminhada por montes e vales de Arouca. Sendo que a PR 9 é uma rota dura, mas inesquecível (garanto!). Para os (ainda) mais aventureiros, o Clube do Paiva disponibiliza uma série de ofertas ligadas à prática de desportos radicais como o rafting. Sem esquecer que ao Paiva está atribuído o galardão de rio menos poluído da Europa.

Aventurem-se!

Um até já,

TS

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